A criação de um fundo imobiliário de shopping centers em parceria entre a Allos (ALSO3) e a Kinea Investimentos pode permitir que a operadora de shoppings distribua dividendos mais elevados nos próximos anos. A avaliação é da equipe de análise do BTG Pactual, segundo reportagem publicada pela Forbes Brasil.
O veículo, batizado de Kinea ALLOS Malls FII e identificado pelo código KAML11, foi objeto de um Memorando de Entendimento assinado pelas duas empresas. Segundo a Forbes Brasil, a captação prevista fica entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão, e o fundo reunirá sete shoppings da Allos, os mesmos ativos do acordo inicial, embora as participações tenham sido recalibradas porque a venda ficou menor do que a anunciada originalmente.
Em relatório citado pela publicação, o BTG classifica a operação como positiva, apesar das cifras reduzidas, o que o banco atribui ao cenário atual do mercado. Os analistas projetam dividend yield de 10% até 2028 para a companhia e afirmam que a transação ocorre com taxa de capitalização de 11%, abaixo dos 12% que, segundo eles, estão implícitos no preço da ação, o que agregaria valor à Allos.
O banco também observa uma diferença em relação ao número divulgado pela empresa, que informou esperar taxa de capitalização de 9,5%. Para os analistas, a distância pode estar ligada a itens sem efeito caixa, principalmente no Shopping Metrô Santa Cruz, que opera sob concessão, e a taxas de administração recebidas pela Allos.
Outro ponto destacado pelo BTG é que o fundo deve criar uma nova fonte de receita recorrente para a operadora, que receberá taxas de gestão e administração dos ativos. A instituição avalia ainda que a estrutura abre caminho para novas fusões e aquisições dentro do fundo.
De acordo com a Forbes Brasil, se a captação for bem-sucedida, a Allos receberá 80% do valor na conclusão da operação, parte em dinheiro e parte em cotas, o que corresponderá a uma fatia de 24% no FII. Os 20% restantes serão pagos em três parcelas iguais, 24, 36 e 48 meses após o fechamento, corrigidas pelo IPCA.
As duas empresas farão a cogestão do fundo, que terá direito de primeira oferta sobre novos ativos que a Allos decidir vender. O acordo prevê ainda exclusividade recíproca: negócios de gestão de investimentos em shoppings ou ativos relacionados serão feitos entre as duas parceiras.
Segundo a publicação, o CEO da Allos, Rafael Sales, afirmou em comunicado que o fundo pode chegar a R$ 10 bilhões ou R$ 20 bilhões. Ele citou como possível motor de crescimento a aquisição de portfólios de investidores institucionais donos de shoppings que prefiram ser sócios de um fundo gerido pelas duas empresas.
O BTG mantém recomendação de compra para as ações da Allos, com preço-alvo de R$ 39 em 12 meses. Conforme a Forbes Brasil, os papéis eram negociados a R$ 26,19, com queda de 8% no ano.
Fonte: Forbes Brasil.

