Anacelia e Fabíola, moradoras de Porto Velho, tornaram-se mães de Anthony Ravi, um bebê autista, depois de cerca de dois anos e meio entre preparação e espera pela adoção. A história foi contada pelo G1 Rondônia nesta segunda-feira (26).
Segundo a reportagem, o casal levou aproximadamente dois anos até entrar na fila da adoção e mais seis meses até ter o menino em casa e o nome das duas no registro. Ao longo do processo, elas relataram ter enfrentado preconceito por serem um casal homoafetivo e por optarem por acolher uma criança fora do perfil mais procurado.
Ravi é autista, tem perda auditiva em um dos ouvidos e plagiocefalia. De acordo com o relato das mães ao G1, os diagnósticos não foram obstáculo. "Ele que nos escolheu para ser mãe dele", disse Fabíola. Anacelia afirmou que o principal desejo das duas era ser mães e que ter um filho com algum diagnóstico de saúde não seria impedimento.
O contato da equipe técnica ocorreu em maio, numa sexta-feira. O casal teve até a segunda-feira seguinte para decidir, mas, segundo Anacelia, a resposta já estava definida desde a ligação. Após a aproximação e os procedimentos necessários, elas receberam a guarda provisória do menino.
As mães contaram que, na primeira noite em casa, Ravi dormiu tranquilo, enquanto elas ficaram acordadas observando o filho. Desde então, a rotina passou a incluir acompanhamento médico e terapias. Conforme o relato da família, uma avaliação apontava que ele poderia não andar, mas hoje o menino caminha sem aparelhos de apoio e já abraça as mães, no tempo dele.
A reportagem também trouxe dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Em 14 de outubro de 2026, Rondônia tinha 34 registros de crianças e adolescentes aguardando adoção. Desses, 17 tinham 10 anos ou mais, incluindo oito com mais de 16 anos. Meninas somavam 52,9% e meninos, 47,1%, com predominância de pessoas pardas.
Segundo o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), citado pelo G1, o tempo de espera não tem uma única causa: depende da situação jurídica da criança ou adolescente, do perfil indicado pelos pretendentes e da existência de uma família compatível. O tribunal ressalta que estar em acolhimento institucional não significa, por si só, estar disponível para adoção.
Em Porto Velho, a preparação dos pretendentes inclui um curso on-line e outro presencial, oferecidos pela Vara de Proteção à Infância e Juventude por meio do Núcleo Psicossocial (NUPS). Depois, os interessados podem pedir habilitação, apresentar documentos e passar por estudo psicossocial. Atendidos os requisitos legais, são inseridos no SNA.
A psicóloga do TJRO Danielle de Oliveira Paulon explicou ao G1 que ampliar o perfil não significa aceitar algo para o qual a família não esteja preparada, mas conhecer outras possibilidades de filiação. Ela destacou que crianças com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades diferentes, que o vínculo é construído com o tempo e que, diante de dificuldades na aproximação ou no estágio de convivência, a orientação é procurar a equipe técnica.
Fonte: G1 Rondônia.

