O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão desta segunda-feira (26 de outubro de 2026) com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Foi a maior perda percentual desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, segundo reportagem da Forbes Brasil. O tombo ocorreu no primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25).
De acordo com a publicação, a B3 acionou o circuit breaker logo na abertura e suspendeu as negociações por 30 minutos. Segundo a bolsa, a decisão levou em conta a formação do preço teórico do Ibovespa, que apontava queda superior a 20%. O mecanismo não era usado desde março de 2020. No pior momento do dia, o índice chegou a recuar mais de 17%, a 169.516,43 pontos. O volume negociado somou R$ 109,24 bilhões antes dos ajustes finais.
A Forbes Brasil atribui o movimento a uma correção dos investidores, que vinham apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro. Ele terminou o primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões de votos. Depois daquela votação, a bolsa havia subido 7,7% e atingido o recorde de 206 mil pontos, no que o mercado chamou de rali eleitoral.
Segundo a reportagem, o setor financeiro, um dos que mais haviam se valorizado com a expectativa de vitória de Flávio, foi o mais atingido. As ações ordinárias do Banco do Brasil caíram 29,33%, a R$ 17,47, e as da própria B3 recuaram 36,28%. O índice do setor financeiro perdeu 22,48%. Bradesco PN caiu 21,7%, e Itaú Unibanco PN, 13,66%. A Petrobras também recuou: 8,18% nas ações preferenciais. A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse à Reuters que se trata de "movimento especulativo".
Na direção oposta, exportadoras subiram com a alta do dólar, que fechou cotado a R$ 5,4066, conforme a Forbes. Suzano avançou 10,08%, Embraer subiu 8,89% e Vale ganhou 4,01%.
A investidora Louise Barsi, cofundadora do Grupo AGF, avaliou à publicação que o momento pede cautela, mas não justifica vender tudo. Ela também disse não ser possível afirmar que esse tenha sido o único ajuste. Bancos estrangeiros citados na reportagem se mostraram preocupados. O Morgan Stanley vê risco relevante de novas quedas até o fim do ano. Já o Scotiabank afirmou que a contestação judicial do resultado anunciada por Flávio Bolsonaro tende a manter elevada a incerteza política.
Segundo a Forbes, o mercado agora aguarda a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda no novo mandato e da estratégia fiscal para os próximos quatro anos. A publicação também relata que o ministro Dario Durigan disse ao Estadão que o governo apresentará uma proposta para perseguir o centro da meta fiscal, e não mais o piso da margem de tolerância.
Fonte: Forbes Brasil.

